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MÚSICA

19/03/2020 22:04:31

Grimes escreve carta de amor ao apocalipse em Miss Anthropocene

Quinto álbum da cantora reflete sobre problemas atuais da humanidade através de melodias futurísticas etéreas que misturam eletrônico experimental e nu metal

Por Luccas Diaz

E se eu dissesse que o aquecimento global é bom? Que o fim do mundo é apenas uma questão de ponto de vista? Que todo o poder de destruição do homem na verdade deve ser celebrado? Essa é a mensagem do quinto e mais recente álbum de estúdio da canadense Claire Elise Boucher, mais conhecida como Grimes. O Miss Anthropocene é uma celebração ao apocalipse através de músicas que vão do eletrônico experimental, passando pelo pop etéreo e flertando com um rock nostálgico, resultando, segundo ela mesma, em um “nu metal etéreo”.

 

 

 

O retorno vem após cinco anos de espera, seguindo o contagiante e criticamente aclamado Art Angels, em que a cantora abraça seu lado pop, dançante e colorido. O contraste entre os dois álbuns parece algo proposital. Se no último lançamento, Grimes era um anjo da arte, agora ela incorpora a “deusa antropomórfica das mudanças climáticas”. A ideia soa quase como um update nos deuses das mitologias ocidentais, apresentando aos mortais uma deusa moderna que represente problemas modernos.

No dicionário, Antropoceno é uma combinação das palavras gregas anthropo (ἄνθρωπος) que significa "humano" e o sufixo -ceno que significa “novo”. Os cientistas estão cada dia mais usando o termo para descrever o momento geológico atual da Terra, em que, pela primeira vez, as mudanças no planeta não são de ordem natural, e sim causadas pelo homem. A Miss Anthropocene, pois então, seria justamente a deusa que reina sobre todos nós enquanto nos matamos e destruímos nosso pequeno planeta.

 

 

E essa deusa não está para brincadeira. A frase “Grimes quer fazer das mudanças climáticas algo divertido” rodou as manchetes de revistas e sites de música e partiu da declaração da cantora ao explicar o conceito por trás do seu novo álbum. A afirmação, obviamente, causou grande controvérsia e fez muitos questionarem se Grimes, que mantem um relacionamento com o multimilionário fundador de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, Elon Musk, é a favor do aquecimento global.

“A maneira que eu vejo é que as mudanças climáticas são uma droga e ninguém quer ler sobre porque toda vez que escutamos sobre o assunto, somos apontados como culpados. Eu queria fazer das mudanças climáticas algo divertido. A Miss Anthropocene tem uma vibe meio Voldemort. Ela está nua o tempo todo e é feita de marfim e óleo” explicou Grimes à Crack Magazine.

É como se a intenção com o Miss Anthropocene fosse dar um rosto, uma personificação para todos os problemas que a humanidade moderna enfrenta. Ao mesmo tempo que celebra e quase que se orgulha de todos esses feitos: “A melhor parte do filme é o Coringa. Todo mundo os vilões. Todo mundo ama o Thanos. Vamos fazer umas artes meio Thanos” disse Grimes.

 

 

A sensação que passa é que Grimes, que sempre brincou bastante com a cultura pop, abraçou seu poder como uma estrela pop. É como se no dia que ela entrou no Met Gala de 2018 pela primeira vez ao lado do namorado Elon Musk, ela houvesse se tornado uma celebridade, não mais apenas uma artista. E isso inclui as fofocas baratas em torno de seu relacionamento, as supostas brigas com outras cantoras, como Azealia Banks e Poppy, e, mais recentemente, o buzz causado pela sua gravidez com o empresário.  

E Grimes usa tudo isso ao seu favor.  Todas essas mensagens compõem a narrativa hollywood-gótica-cyber-punk do Miss Anthropocene. Seu quinto álbum vem menos celestial e mais melancólico, apresentando um produto final que é digno da catarse da artista. Um álbum noturno, mais agressivo e violento, mas sem deixar de lado as já clássicas melodias futurísticas e alienígenas da cantora.

Cada música abraça simultaneamente um problema da humanidade e um lado da cantora. Desde “So Heavy I Fell Through the Earth” até “IDORU”, Grimes canta sobre inteligência artificial, problemas com vícios, guerras, mas também sobre seus sentimentos amorosos, sobre sua feminilidade e sua liberdade artística. Uma forma única de se engajar com os problemas da realidade através de sua arte.  Mais uma vez, Grimes prova ser uma das artistas mais interessantes da atualidade, com um conteúdo genuinamente único, criativo e singular. Um brinde ao fim!

 

Eu,

Poeta da destruição,

declaro que o aquecimento global é bom.

Então vocês humanos entalharam sua existência na Terra,

para que não fossem esquecidos.

Por que se lamentar?

Seja quem você é, abrace o seu fim,

Porque você é o arquiteto dele.

Quão inteligente você é, para erradicar uma espécie tão resiliente quanto a sua.

Por que negar seu poder?

É o melhor show do universo.

Celebre comigo, a mais importante das mortes.

Agora é a hora de queimar duas vezes mais brilhante e em metade do tempo

 

Atenciosamente,

Miss Anthropocene

 

Ouça o álbum Miss Anthropocene no Spotify aqui:

 


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