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CINEMA

18/03/2020

Documentário Almost Human instiga, provoca e fascina ao traçar reflexão sobre relação do homem com a tecnologia e o futuro

Com estilo poético e belas imagens, diretor dinamarquês Jeppe Rønde convida dez cientistas e um robô para discutir sobre os próximos passos da humanidade

Por Luccas Diaz

No século XIX, era comum que os trabalhadores de minas de carvão inglesas carregassem para dentro das minas um canário em uma pequena gaiola. O pássaro não servia exatamente para fazer companhia ou entreter os homens com seu canto. Era um medidor. Se o nível de gases tóxicos, como o monóxido de carbono, subisse muito, o pequeno canário era o primeiro morrer - e indicava que era preciso sair imediatamente do local.

As geleiras do Ártico, há séculos atrás, eram consideradas algo certo e definitivo. O continente gelado era um sinônimo de fortitude e certeza. Hoje, satélites, bases científicas e pesquisadores registram, diariamente, novos blocos de gelo derretendo completamente diante de nossos olhos.

Pois bem, as geleiras são o nosso canário. É hora de abandonar a mina.

 

 

É assim que o documentário Almost Human, do premiado diretor dinamarquês Jeppe Rønde, se inicia. Narrado pela voz do ator britânico Stephen Fry, o filme foi lançado originalmente em março de 2019 na Dinamarca e teve sua estreia internacional no Festival de Cinema de Tribeca do mesmo ano, nos Estados Unidos.

A premissa do documentário é simples mas altamente ambiciosa. Rønde convida dez cientistas e um robô para discutir o futuro da tecnologia. Não apenas a tecnologia em si, mas a nossa relação com ela. Com um texto provocativo e instigante, o documentário oscila entre imagens de tirar o fôlego, dados históricos e breves relatos e entrevistas. O tom constante da narração é uma mistura poética de medo, encantamento e curiosidade.

 

 

 

Afinal, chegamos ao futuro! O planeta Terra passa por um momento nunca visto antes: pela primeira vez desde sua criação, as mudanças drásticas que vêm ocorrendo não são de ordem natural, mas sim causadas por obra de um único animal. O homem. O termo “Antropoceno” nunca fez tanto sentido; essa, sem dúvidas, é a era do homem. A narração do documentário, inclusive, faz uma sacada bem ardilosa ao narrar o tempo todo na segunda pessoa, como se tivesse recontando toda a história para o próprio autor da obra. Algo como: “Você fez isso. Você criou a roda, o computador quântico, e agora o aquecimento global. A culpa e o mérito são todos seus”.

Durante seus 48 minutos, o filme vai e volta do passado ao futuro tentando entender certas ações de seu grande protagonista. O homem está realmente evoluindo? Os ataques do Estado Islâmico aos templos de Palmiria em 2015 não se assemelham terrivelmente com o mesmo ataque que a cidade sofreu do Império Romano nos tempos antigos?  Estaria, então, a humanidade presa num eterno ciclo de movimentos previsíveis que, na verdade, não mudam apenas se reformulam?

 

 

O ciclo, porém, parece estar à beira de seu fim. Algo novo surgiu, algo que as mentes mais imaginativas já previam séculos atrás, e que tem o poder de verdadeiramente mudar para sempre o curso da humanidade. O homem decidiu brincar de Deus e criar seu próprio Adão: nasceu a Inteligência Artificial. De forma lenta, mas deveras progressiva, os robôs estão surgindo e se tornando cada dia mais uma realidade. Linhas e códigos que se transformam em um ser capaz de pensar por si só. Se Mary Shelley usou de pedaços de cadáveres para criar seu Frankenstein, nós estamos usando nossos melhores cérebros para criar esse ser perfeito. 

Um dos cientistas entrevistados garante que não tem motivo algum para temer o futuro IA. Segundo ele, o próprio homem já é 90% robô. Enquanto outro afirma de pés juntos que não temos nem a menor das noções do que podemos estar fazendo ao criar seres pensantes e capazes de superar até os mais brilhantes da nossa espécie. Blade Runner, Eu, Robô, Westworld... o que não faltam são filmes, seriados e livros dando um pitaco de como poderia ser esse futuro. Mas do que tudo isso adianta? As geleiras do Ártico estão derretendo.

 

 

O futuro é o novo presente. Mas estaria o homem preparado para isso? Estaria a Terra preparada para isso? O labirinto de Creta que estamos criando pode talvez não ter um grande monstro escondido no meio, mas há com certeza um espelho refletindo quem é o herói e o vilão dessa história.

Almost Human é um estudo e uma discussão sem respostas. O que a tecnologia, antes uma ferramenta, agora quase um quinto elemento natural, significa para nós? Conseguiremos encontrar um botão de desligar se um dia for necessário? Jeppe Rønde faz mais um excelente trabalho ao trazer um texto instigante, provocador e acusatório que simultaneamente serve como uma carta de amor ao futuro, ao conhecimento e ao homem. É como sua melhor aula de ciências do 8° ano, com o seu professor mais maluco e sua reação mais boquiaberta possível.

“O seu fim é o seu começo. Os átomos da sua mão foram feitos no Big Bang. Você existe, desde o começo. No mar, nas estrelas. E você existe no fim. Uma onda pode apagar o seu castelo de areia. Mas isso será meremente um novo começo.” (Jeppe Rønde, diretor de Almost Human)

O documentário está disponível para streaming na Amazon Prime.  

 

 


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