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CINEMA

23/02/2016

As 20 maiores injustiças do Oscar

Listamos aqui grandes filmes que foram ignorados pela academia

Por Rodrigo Ramos

Premiações nunca conseguem agradar a todos. Isto é fato. E a maior premiação do cinema mundial também costuma desagradar um ou outro – até mesmo a maioria, em alguns casos. Por isso, resolvi listar as que seriam as 20 maiores injustiças cometidas pela Academia. Filmes, diretores e atores. Veja abaixo os eleitos como os maiores injustiçados da história do Oscar.

– Uma das poucas comédias a vencerem o Oscar de melhor filme foi A Volta ao Mundo em 80 Dias (Around the World in Eighty Days, 1956). Uma das atitudes mais contraditórias da Academia, que na 29ª edição da premiação, em 1957, deixou o belíssimo Assim Caminha a Humanidade (Giant), estrelado por Elizabeth Taylor e James Dean (o último filme da carreira do astro), de lado.

Assim Caminha a Humanidade

Assim Caminha a Humanidade

 

– Na 38ª edição do Oscar, em 1966, A Noviça Rebelde (The Sound of Music, 1965) consolidou mais uma vez a preferência da Academia em relação aos musicais. O filme não é ruim, mas fica longe da qualidade narrativa do romance político Doutor Jivago (Doctor Jivago).

A Noviça Rebelde

A Noviça Rebelde

 

– O brilhante Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971) foi indicado a quatro prêmios no Oscar, mas não levou nenhum dos prêmios. Perdendo, inclusive, a estatueta de melhor filme para Operação França (The French Connection). Certamente um dos maiores erros da Academia.

Laranja Mecânica

Laranja Mecânica

 

– A crítica pode não ter gostado, mas isso não foi o suficiente para a Academia deixar de premiar em sua 58ª edição, em 1986, Entre Dois Amores (Out of Africa, 1985), filme estrelado por Meryl Streep e Robert Redford. O romance ambientado na África desbancou A Cor Púrpura (The Color Purple), de Steven Spielberg, que teve 11 indicações e voltou pra casa sem nenhuma estatueta.

Entre Dois Amores

Entre Dois Amores

 

– Os Bons Companheiros (GoodFellas, 1990) é um dos melhores filmes de máfia da história e está entre os cinco melhores dirigidos pelo estupendo Martin Scorsese. O problema é que o Oscar não reconheceu o brilhantismo no longa-metragem e achou que era a vez de premiar Kevin Costner por seu desinteressante Dança Com Lobos (Dance with Wolves) na 63ª edição da premiação, em 1991.

Os Bons Companheiros

Os Bons Companheiros

 

– Na 67ª edição do Oscar, em 1995, os filmes que competiam pelo principal prêmio da noite eram todos qualificados. Quem levou foi Forrest Gump – O Contador de Histórias (Forrest Gump, 1994), até porque o longa-metragem é o típico filme americano. Mas poderiam muito bem ter vencido Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, ou Um Sonho de Liberdade (The Shawshank Redemption), de Frank Darabont, o melhor filme de todos os tempos segundo o ranking dos internautas no site IMDb.

Um Sonho de Liberdade

Um Sonho de Liberdade

 

– A comédia romântica de época Shakespeare Apaixonado (Shakespeare in Love, 1998) levou tudo o que podia de prêmios na 71ª edição do Oscar, em 1999. Muitos deram crédito da vitória devido aos jabás que a Miramax (produtora do longa) estava distribuindo para os votantes da Academia. Com isso, O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan) acabou ficando só com o Oscar de direção para Steven Spielberg.

Shakespeare Apaixonado

Shakespeare Apaixonado

 

– Não dá pra desmerecer completamente Uma Mente Brilhante (2001), mas não dá pra negar que poucos filmes marcaram época como o luxuoso Moulin Rouge e O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (The Lord of the Rings: The Fellowship of theRing) e poderiam facilmente ter saído da 74ª edição do Oscar, em 2002, com o troféu de melhor filme do ano.

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel

 

– O Oscar voltou a premiar um musical na 75ª edição da festa, em 2003, quando consagrou Chicago (2002) o filme do ano. Na disputa, estava o ótimo Gangues de Nova York (Gangs of New York) e, novamente, Martin Scorsese perdeu o prêmio de melhor filme e  direção. 

Chicago

Chicago

 

– Em 2010, na 82ª edição do Oscar, Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009) e Up – Altas Aventuras (Up) eram, disparados, os melhores filmes indicados ao Oscar. Infelizmente, a Academia ainda não estava pronta para premiar uma animação ou um trabalho de Quentin Tarantino como o melhor do ano. Na ocasião, o prêmio foi para o superestimado Guerra ao Terror (The Hurt Locker), que também rendeu à Kathryn Bigelow o prêmio de melhor direção, sendo a primeira mulher a ganhar a estatueta na história da premiação.

Bastardos Inglórios

Bastardos Inglórios

 

– Outro superestimado é O Discurso do Rei (The King’s Speech, 2010), que levou o troféu de melhor filme no Oscar, na sua 83ª edição, depois de A Rede Social (The Social Network), de David Fincher, ter ganhado todos os prêmios da crítica e o Globo de Ouro. Infelizmente, o Oscar continuava mostrando não estar preparado para coroar filmes que refletem o momento atual do século.

A Rede Social

A Rede Social

 

– O Artista (The Artist, 2011) consolidou a caretice do Oscar mais uma vez. O longa tem seus encantos e homenageia o passado cinematográfico. Mas o que ele apresenta de novo? Nada. Ele é ousado por ser mudo e preto e branco numa época em que as pessoas nem prestam mais atenção no que estão vendo. Mas homenagem por homenagem, A Invenção de Hugo Cabret (Hugo) era mais merecedor. Dirigido por Martin Scorsese, o longa é uma obra prima belíssima que presta homenagem a Georges Méliès e utiliza a tecnologia disponível nos dias de hoje para isso. A junção entre o velho e o novo. Uma pena que a Academia não tenha reconhecido o brilhantismo e inovação na película de Scorsese.

A Invenção de Hugo Cabret

A Invenção de Hugo Cabret

 

Alfred Hitchcock

Alfred Hitchcock

 

– Alfred Hitchcok nunca ganhou um Oscar. Foi indicado em 5 oportunidades: Rebecca – A Mulher Inesquecível (Rebbeca, 1940), Um Barco e Nove Destinos (Lifeboat, 1944), Quando Fala o Coração (Spellbound, 1945), Janela Indiscreta (Rear Window, 1954) e Psicose (Psycho, 1960).

– Ben Affleck venceu todos os prêmios de direção (incluindo Critics’ Choice Awards, Globo de Ouro e DGA) por Argo (2012), mas o Oscar sequer o indicou.

– Stanley Kubrick também nunca levou um Oscar. Foi indicado em 4 oportunidades: por Dr. Estranho (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, 1964), 2001: Uma Odisseia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968), Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971) e Barry Lyndon (1975).

Stanley Kubrick

Stanley Kubrick

 

– Tom Hooper e sua direção nada extraordinária em O Discurso do Rei rendeu a ele o Oscar de direção, enquanto David Fincher, mais uma vez, foi deixado de lado, agora por A Rede Social.

– Martin Scorsese só recebeu o prêmio de direção em 2006 com Os Infiltrados. O maior crime foi perder a disputa em 1991, por Os Bons Companheiros, quando Kevin Costner desbancou Scorsese no prêmio de direção por Dança Com Lobos. Só num mundo imperfeito como o nosso para isso acontecer.

– Charles Chaplin nunca foi indicado ao Oscar de melhor direção.

– O Oscar de melhor ator costuma ser o prêmio mais justo. A única vez que o prêmio deixou certo rancor nos cinéfilos foi quando Sean Penn venceu o prêmio por Milk – A Voz da Igualdade (Milk, 2008), ao invés de Mickey Rourke em O Lutador (The Wrestler, 2008), no papel que fez o ex-galã de 9 1/2 Semanas de Amor voltar à Hollywood com uma atuação minimalista em um dos filmes mais emocionantes deste século.

– Três estatuetas nas últimas décadas foram controvérsias. Halle Berry por A Última Ceia (Monter’s Ball, 2002) tirou o prêmio dado certo como para Nicole Kidman por Moulin Rouge. Fernanda Montenegro foi a única brasileira a ser indicada à categoria na História pelo filme Central do Brasil (1999). Infelizmente, ela foi “roubada” e o troféu foi para a sem sal Gwyneth Paltrow por Shakespeare Apaixonado. Outra atriz que pouco tem a oferecer dramaticamente é Sandra Bullock, vencedora do prêmio por Um Sonho Possível (The Blind Side, 2009).

 

Fernanda Montenegro em Central do Brasil

Fernanda Montenegro em Central do Brasil

O Oscar 2014 acontece no dia 2 de março. Confira a lista completa dos indicados clicando aqui.

 

 

 

 


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