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CINEMA

14/01/2013

'A Viagem' se vende com perfeição, mas o resultado é muito aquém do prometido

Efeitos especiais e uma boa direção de fotografia ainda não são o suficiente para segurar o longa

Por Rodrigo Ramos

O histórico de A Viagem não é dos melhores para mim. Tudo começa pelo fato de os cinemas brasileiros esperarem três meses para colocar o filme em cartaz após a estreia do mesmo em solo estadunidense. Em seguida, não consigo compreender qual a conexão entre Cloud Atlas (título original) e A Viagem (título em português). Mas já parei de tentar entender o sentido das traduções. Por último, o retorno dos irmãos (agora Andy e Lana) Wachowski, criadores da trilogia Matrix e produtores de V de Vingança, me agradava. Estava ansioso para saber o que eles fariam depois de… Bem, Speed Racer. Todo mundo erra, não é? Então Cloud Atlas era uma película muito aguardada por mim, e quando finalmente tive a oportunidade de assisti-la, me decepcionei.

 

                           Imagem Filmes/divulgação

 

Os trailers que assisti de Cloud Atlas (vou chamar o filme pelo título original porque repudio a tradução brasileira) me deixaram maravilhado com seu visual e suas tramas. A ideia de usar o elenco para diversos papeis me soava ousada. E era isso que eu esperava dos irmãos Wachowski e de Tom Tykwer (diretor de Corra, Lola, Corra). Cloud Atlas se vende com perfeição, mas infelizmente o resultado é muito aquém do que aquele prometido.

 

                           Imagem Filmes/divulgação

 

Visualmente, os diretores não perderam o jeito. Os cenários de Cloud Atlas são convincentes, seja em 1849 ou em 2346. Em alguns momentos, o visual é estupendo e nada melhor do que ver algo tão belo no cinema. Mas como já sabem, efeitos especiais e uma boa direção de fotografia ainda não são o suficiente para segurar um longa-metragem se o mesmo não tem conteúdo o suficiente. E Cloud Atlas não tem.

 

                           Imagem Filmes/divulgação

 

A intenção de Cloud Atlas é fazer o espectador acreditar que, de alguma forma, as vidas de todos e todas as nossas vidas estão conectadas de alguma forma. Um gesto de bondade pode ecoar no universo e desencadear uma revolução. Você pode ser uma boa pessoa em 1936, mas você pode ser um ser humano perverso em 2012. Essa ligação lembra um pouco o espiritismo, mas não tem nada a ver, no fim das contas. Tudo o que a direção tem para nos oferecer é mostrar que tudo está conectado durante as quase três horas de metragem.

 

                           Imagem Filmes/divulgação

 

A mensagem, seja nas entrelinhas ou escancarada de todas as formas, não é o bastante para sustentar um filme tão longo. Sabendo disso, o trio de diretores resolveu ilustrar com seis histórias que se passam em 1849, 1936, 1973, 2012, 2144 e 2346. Para cada uma delas, o mesmo elenco é dividido em personagens diferentes. Hugo Weaving, o ator fetiche da direção, vive tanto uma enfermeira, um aristocrata na época da escravidão, assim como um vilão opressor japonês (mesmo) no futuro. A questão é: precisava de seis histórias para repassar a mensagem?

 

                           Imagem Filmes/divulgação

 

O filme se arrasta por 172 minutos, do começo ao fim. São poucos os momentos em que a película flui organicamente. Tudo parece robotizado demais e garanto que a maquiagem não ajuda. Acho que é o pior trabalho de maquiagem desde A Saga Crepúsculo – e isto é uma bela ofensa. É difícil prestar atenção na história – especialmente quando ela já é verborrágica e enfadonha – enquanto o trabalho estético, que é muito importante para realizar o que os diretores querem, é péssimo. E fica ainda pior quando querem transformar atores ocidentais em japoneses e uma atriz oriental em uma europeia, ruiva e de olhos claros. É embaraçoso. Não tem como levar a sério quando uma obra dessas, tão ambiciosa, fica com cara de filme B.

 

                           Imagem Filmes/divulgação

 

A decisão do trio de diretores foi desenvolver as histórias juntamente, cortando uma aqui, iniciando outra, e assim por diante. A jogada é uma bagunça. Até a primeira hora, não dá pra entender bem qual é o propósito. Aos poucos, vemos que a escolha foi para mostrar, gradativamente, como tudo está conectado. A intenção é esta, ao menos. Mas atingi-la já é outra coisa. Não sei apontar se é por causa das histórias picotadas (talvez seja mesmo), mas as narrativas não agradam. A maior parte do elenco está desconectada de seus personagens. Atores como Tom Hanks e Jim Sturgees entregam algumas de suas piores atuações da carreira. Salvam-se apenas Hugo Weaving, ótimo como a enfermeira do asilo, o delicado Ben Whishaw e Jim Broadbent no seguimento mais divertido – e menos valorizado, infelizmente – do longa, envolvendo o asilo. O seguimento dele em 2012 é deixado de lado e, lá no final, o desfecho é concluído de maneira afobada, sem nos contar como ele chegou àquele resultado. Desperdícios e excessos.

 

                           Imagem Filmes/divulgação

 

Cloud Atlas é ousado em suas pretensões e arrisca um novo formato de narrativa. Contudo, essa suposta evolução na forma de se fazer um filme é um verdadeiro tiro que sai pela culatra. Cloud Atlas é confuso, sem emoção, maçante, com atores que não se entregam em seus papeis e histórias que não se fazem sentido entre si além daquilo que já fora prometido em sua premissa – e nem mesmo dentro desta o longa satisfaz.

 

 

Cloud Atlas
EUA/Singapura/Alemanhã/Hong Kong, 2012 – 172 min
Drama | Ficção | Aventura

Direção:
Lana Wachowski, Andy Wachowski, Tom Tykwer
Roteiro:
Lana Wachowski, Andy Wachowski, Tom Tykwer, baseado no livro de David Mitchell
Elenco:
Tom Hanks, Halle Berry, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Donna Bae, Ben Whishaw, James D’Arcy, Zhou Xun, Keith David, David Gyasi, Susan Sarandon, Hugh Grant

2 STARS

 

 

 


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