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GASTRONOMIA

26/10/2014

A cozinha, o velho e o novo

Uma reflexão sobre o mercado editorial gastronômico e a troca de receitas

Por Maria Izabel Gonçalves

- Vó, lembra desse livro de receitas...“Culinária da vovó Rina”?

- Leeeeembro! Tu achou ele aí? Deve ter uns quarenta anos!

- Achei! – comemoro durante uma breve faxina em minha mini-biblioteca.

- Deixa aí por cima pra gente ver alguma receita – sugere minha avó.

Eu, é claro, concordo com a ideia, já folheando a antiquíssima publicação com aquele cheiro característico – e maravilhoso – de livro velho.

- Não, não – exclama ela, causando-me surpresa. – Pra quê ficar procurando receita antiga em livro se todas as receitas do mundo estão na internet?

A conclusão de uma senhora de setenta anos que nunca tocou em um computador, mas usa a habilidade dos netos para conferir os resultados da Mega Sena na internet, define bem a realidade do compartilhamento de receitas da atualidade.

 

 

O mercado editorial está às voltas com a digitalização dos livros já tem algum tempo. Não seria diferente no caso dos livros de receita, classificados hoje em estantes nas livrarias sob a pomposa placa que diz: Gastronomia.

Antigamente, na época em que fazíamos Cadernos de Receita nas aulas de educação artística como presente, entregue nas festinhas de Dia das Mães da escola, a troca de receitas funcionava de maneira pessoal. Alguém tinha o segredo. Esse segredo jazia imóvel em páginas amareladas de cadernos caprichados. As interessadas copiavam (pasmem, crianças, com caneta mesmo!) em uma folha em branco e levavam pra casa. Nesse ritual, o mais legal era passar a limpo para seu próprio caderno, onde, mais tarde, as páginas das receitas mais populares ganhariam respingos da calda, salpicadinhas de farinha de trigo: provas do quanto o receituário foi lido. Consagração de uma receita de sucesso.

Recentemente, em uma livraria daquelas bem chiques, eu e uma amiga (daquelas bem apaixonadas por livros e por cozinha), encontramos um belíssimo livro de receitas. A capa era majestosa! Feita com réplicas de mini-ladrilhos portugueses. E que surpresa tivemos ao dar uma espiada no conteúdo e ver que o livro estava em branco!

 

 

Meu próprio espanto me deixou espantada! Por que fiquei tão chocada com um livro em branco? Porque não imaginava que ainda existiam! Nunca mais parei para pensar que uma pessoa poderia comprar um livro em branco para escrever receitas.

Há uns dois anos presenteei minha afilhada com um lindo livro da Barns & Nobel, em branco. Mas era quase como um diário, era para que ela exercitasse a escrita, não era pra copiar receitas. Quando viu o lindo livro com capa de ladrilhos, minha amiga sugeriu que pudesse fazer parte de uma herança de família, um legado. Essas coisas tão docemente ilustradas por Jane Austen. Ou que combinariam com Jane Austen.

A ideia é linda – apesar do preço do livro, meio desequilibrado no sal – mas acho que é bem possível que deixemos um food blog para as próximas gerações. E são tantos bons e inspiradores food blogs.  Brasileiros, norte-americanos, australianos, europeus. As indicações, os links, são intermináveis! As fotos são dignas de revistas especializadas. Com estilo pin-up, vintage, modernoso, molecular, minimalista...Um mosaico internético gourmet. Basta que você encontre um deles e siga as indicações de cada blogger. É uma verdadeira viagem.

Um apreciador pode se sentir meio “high” com tanta inspiração. Dá uma vontade de largar tudo e ir bater um bolinho. Para incrementar essa relação, há alguns dias a Glam Media lançou uma super rede social para esses “addicted to cooking”.

Celebrities Chef, bloggers, restaurateurs e amadores integram o Foodie.com, que é lindamente ilustrado por aquele tipo de fotografia. Aquele que faz algumas pessoas salivarem e faz gente como eu correr para pegar a batedeira e pré-aquecer o forno.

Será o fim da troca manual de receitas? Não! Será o fim de clássicos como o pesado volume de Dona Benta? Não! Mas é notável que cada vez mais a gastronomia se integra à tecnologia. Até porque, em alguns anos as avós e as bisas seremos nós. E não importa se deixaremos aos nossos netos um belo caderno de receitas escrito a mão, ou uma relíquia como o primeiro aplicativo do Jamie Oliver para iPads. “Ai, vó, você baixava aplicativo para iPad! Que coisa mais antiga!”


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